Até que ponto as redes sociais existentes e povoadas por todos nós estão, realmente, nos deixando mais livres e mais “poderosos”? Será que, a cada dia, não estamos nos tornando usuários de um ambiente cada vez mais monitorado, controlado e, quem sabe, até manipulado sem percebermos?
Em determinados momentos, desfrutando das redes sociais, acho que sou livre para “bater” e “apanhar” e, em outros momentos, percebo que nem sempre quem “bate”, sabe que do outro lado pode ter alguém disposto a se defender.
A impressão que tenho é de que alguns comentários nas redes sociais, principalmente os negativos, são vistos como comentários de mão única. Geralmente, os usuários esquecem que, em um processo de comunicação, existem emissor, receptor, meio, ruído e feedback. Esquecem ainda que a linguagem pode ser verbal e não verbal.
Um emoticon ou até mesmo o silêncio, por exemplo, podem dizer muito mais do que um texto com 140 caracteres no Twitter ![]()
Às vezes, tenho a impressão também de que muitas pessoas só são “fortes” no ambiente on-line, pois suas palavras e gestos são mais agressivos, no entanto, ao mesmo tempo, são dóceis e defensivas no ambiente off-line.
Acho que ainda não entendemos que nosso perfil, no Twitter, é uma extensão de nossa “first life”? Muitas vezes, você conhece alguém pessoalmente, mas se surpreende com essa mesma pessoa no ambiente on-line. Não deveriam ser as mesmas pessoas, ter as mesmas atitudes e demonstrar o mesmo equilíbrio?
Observamos alguns usuários que estão em muitas redes sociais ao mesmo tempo. É comum encontrarmos pessoas que estão no Orkut, Facebook, LinkedIn e, também, no Twitter. Se muitos usuários de internet estão em muitas redes sociais, podemos entender que cada uma delas tem um propósito diferente.
Vejamos: o Flickr serve para postar fotos; o Videolog para postar vídeos; mas e o Orkut? E o Twitter? Além disso, por que encontramos usuários que possuem uma conta no Flickr e outra no Picasa, por exemplo? Se os dois são repositórios de fotos, não bastaria ter fotos em um só? Por que alguns usuários estão no Facebook e no Orkut? As ferramentas não são, no mínimo, semelhantes? Não bastaria estar em uma só?
Acredito que exista por parte dos seres humanos uma grande necessidade de exposição. As pessoas gostam de se expor. É simples chegar a essa conclusão, pois muitos usuários postam fotos de amigos, dirigindo, mostrando o carro novo, de viagens ou com celebridades. Existem até aquelas pessoas que colocam fotos com o namorado ou namorada nova, só para causar inveja ou ciúme no namorado ou namorada antiga.
Outros usuários já gostam de escrever no Twitter e até usam as hashtags para deixar claro o que fazem no dia a dia e com isso ganham visibilidade e seguidores. É comum encontrarmos pessoas comentando o seu trabalho, ou até mesmo retwittando um texto legal de alguém que é respeitado no meio. Também vemos pessoas comemorando o aumento de seguidores e existem ainda usuários que usam, inclusive, ferramentas específicas para aumentar os números de seguidores do seu perfil.
Ora, se existem ferramentas que aumentam a quantidade de seguidores no Twitter, provavelmente alguém percebeu a frustração de determinados usuários com poucos seguidores, certo? Mas quem disse que ter mais de 500 seguidores te transforma em alguém realmente relevante? O Twitter é feito de nichos. Será que você precisa ter o mesmo número de seguidores que o Luciano Huck? Não seria mais interessante, dentro do seu nicho, ser seguido e seguir pessoas que possam contribuir com o seu crescimento pessoal e profissional?
Existem ainda aqueles que ficam frustrados com a perda de seguidores ou de amigos no Orkut. Ou seja, de uma maneira geral, as pessoas estão a cada dia mais carentes e precisam mais de amigos, de companhia e principalmente de autoafirmação. Pode doer, mas é verdade, eu posso achar que não sou ninguém, mas se no Twitter eu tenho mais de 1.000 seguidores, eu passo a achar que sou “o cara” e, muitas vezes, me veem como “o cara”, o que nem sempre é verdade.
Algumas pessoas dizem ser especialistas em determinada ferramenta, software, ou até mesmo em alguma forma de ganhar a vida. O que me assusta, porém, é que o Twitter está cheio de especialistas com pouco tempo de mercado. Conheço ótimos jovens profissionais, que sem dúvida sabem muito quando o assunto é técnico. Mas será que a verdadeira maturidade de um profissional se dá somente pelo seu conhecimento técnico? Isso faz desse profissional um verdadeiro especialista? Será que ele realmente já passou por todos os problemas para se intitular assim?
No fundo, o que acontece quando a gente diz que é um especialista em alguma coisa, na verdade é o que gostaríamos de ser, ou seja, é muito comum encontrarmos pessoas nas redes sociais dizendo que são o que elas ainda querem ser. Isso vai inflar o ego delas e a ideia é essa mesmo: acordar todos os dias com o ego inflado.
Outra análise interessante que fiz, especificamente sobre o Twitter, é que a maioria esmagadora dos usuários tem sempre um número de seguidores maior do que o número de pessoas que segue. Afinal, é muito mais bacana para o seu ego ter mais gente seguindo você do que seguir mais gente. Acho que não fazemos isso por mal, mas que é verdade é.
Longe de criticar os que acham que são ou que realmente são especialistas e até mesmo os que seguem menos do que são seguidos, pois esse texto não se prende a esses pequenos detalhes. Não pretendo trazer a verdade absoluta sobre o funcionamento de uma rede social específica e nem mesmo das redes sociais de uma forma geral.
Vejo alguns usuários criticando a forma como outros usam o Twitter, o Orkut ou outra rede social qualquer. Na verdade, cada usuário usa a rede da forma que acha melhor. A bandeira que quero levantar é que muitas vezes pensamos que as redes sociais nos dão um determinado poder e liberdade, mas talvez todos nós sejamos prisioneiros em um sistema carcerário virtual, onde o principal objetivo é um possível controle exercido pelos novos meios de informação sobre nós usuários.
Confiram, na Wikipédia, o significado da palavra Panóptico. Pensem nisso e se quiserem aprofundar, leiam “Vigiar e Punir”, de Michel Foucault.

